Taras Dmytruk é um tatuador de Miami cujo nome tem sido cada vez mais reconhecido na comunidade profissional nos últimos anos. Seu trabalho regularmente ganha prêmios em grandes convenções, e ele se tornou uma referência para uma nova geração de artistas que trabalham com realismo preto e cinza.
Suas tatuagens são instantaneamente reconhecíveis: forte contraste, detalhes precisos e composições bem equilibradas. Mas o que realmente define seu portfólio é a atmosfera. Cada peça carrega um senso de tensão interna, força e drama, transformando cada tatuagem em uma história memorável.
Taras, você poderia nos contar um pouco sobre você — de onde você é e como você começou a tatuar?
Taras: Eu sou de Ratno, Ucrânia. Eu desenho desde criança, mas aos 17 anos fui estudar administração. Enquanto estava na universidade, tentei tatuar pela primeira vez e, no início, começou mais como um hobby.
Aos 18 anos, eu já havia aberto meu próprio estúdio em Lviv, e depois mais alguns. Alguns anos depois, fui fazer um guest spot na Alemanha e trabalhei na Neon Tattoo Germany, o que me deu uma experiência real na cena europeia de tatuagem.
Eventualmente, me mudei para os Estados Unidos, e agora estou baseado em Miami, Flórida.
Quando você começou a tatuar, e qual foi seu caminho antes de se tornar um artista?
Taras: Comecei aos 17, honestamente por acidente. Um amigo comprou uma máquina de tatuagem barata, e eu tinha muito tempo livre. Não houve um aprendizado formal, apenas prática e vídeos do YouTube. Então os primeiros clientes vieram, e abrir meu próprio estúdio me fez perceber que isso poderia ser uma carreira real, não apenas um hobby. Rapidamente encontrei pessoas com a mesma mentalidade para trabalhar, o que ajudou muito.
Mais tarde, trabalhar na Alemanha me deu uma perspectiva completamente diferente sobre padrões e fluxo de trabalho.
O que faz seu realismo se destacar em comparação com outros artistas?
Taras: Eu trabalho principalmente com realismo preto e cinza, mas com o tempo também comecei a misturá-lo com detalhes coloridos e elementos japoneses, então meu trabalho tem evoluído além de uma direção estrita. O que diferencia minha abordagem é o foco no design: é importante criar algo único para cada cliente.
Também sou inspirado pela estética renascentista e barroca. Trato cada tatuagem como uma pintura, não uma reprodução de uma foto. Foco em como a peça interage com o corpo e no contraste, que é um dos principais acentos do meu trabalho.
O que o atraiu particularmente ao realismo? Você se concentra mais em retratos, animais ou outros temas dentro desse estilo?
Taras: O realismo é o que mais se aproxima da arte clássica na tatuagem, e essa conexão foi o que me atraiu. Eu trabalho principalmente em projetos de várias sessões. Os temas que mais surgem são escultura clássica, motivos religiosos, retratos e elementos arquitetônicos.
Mas ultimamente uma grande parte das minhas mangas são inspiradas no estilo japonês combinado com o realismo, e isso realmente me entusiasma. Prefiro construir uma composição completa no corpo em vez de colocar imagens separadas. Estrutura e anatomia vêm sempre em primeiro lugar.
A maior parte do seu trabalho é feito em preto e cinza, mas ocasionalmente você adiciona cor. Em que casos você decide usar cor e qual o papel que ela desempenha em suas composições?
Taras: Isso é algo que tenho explorado ativamente ultimamente. Comecei a adicionar toques de cor, principalmente vermelhos e laranjas, ao meu trabalho em preto e cinza. Isso adiciona pontos focais e traz uma energia diferente para a composição sem tirar o realismo.
Também estou misturando realismo em preto e cinza com elementos do estilo japonês tradicional, criando uma espécie de abordagem neo-japonesa. Ainda é uma combinação relativamente incomum na tatuagem, e o resultado parece único. Quero continuar desenvolvendo essa direção.
Você geralmente cria designs personalizados com base nos pedidos dos clientes, ou prefere desenvolver seus próprios conceitos?
Taras: Eu sempre me mantenho fiel ao meu próprio estilo, mas começo com uma conversa com o cliente. Preciso entender a ideia deles, a anatomia, quanto espaço temos e a direção geral. Depois procuro referências para entender o clima e a estrutura. É muito importante estar na mesma sintonia com a pessoa para quem estou criando o desenho. O design final é sempre algo único.
O que é mais importante para você na tatuagem — qualidade técnica, expressão artística ou a conexão emocional com o cliente?
Taras: Para mim, é a conexão emocional com o cliente em primeiro lugar. Especialmente quando se trata de grandes projetos em várias sessões. Quando você tem essa conexão e se sente confortável trabalhando juntos, todo o processo flui facilmente, e isso sempre se reflete no resultado. A qualidade técnica é importante, claro, mas isso vem com a experiência.
Como um bom amigo meu disse uma vez: a arte termina depois que o design é criado, depois disso é uma questão de técnica. E é através da conexão com o cliente que a verdadeira expressão artística se manifesta. Então não é apenas trabalho, é um processo significativo tanto para mim quanto para a pessoa.
Onde você costuma encontrar inspiração para o seu trabalho?
Taras: Principalmente sou inspirado pelo trabalho de outros tatuadores e pela arte contemporânea em geral. Acho fascinante ver artistas fortes trabalhando, especialmente em convenções, isso sempre dá uma nova perspectiva e me motiva a crescer.
Ao mesmo tempo, sou muito atraído pela arte barroca, especialmente pela escultura, por seu movimento, tensão e uso da luz. Tento combinar essas coisas em meus designs.
Você poderia compartilhar um ou dois projetos que são especialmente significativos para você e por quê?
Taras: Um que se destaca é o projeto colaborativo com Adrian Delgado na InkCon 2024, na Califórnia. Trabalhamos juntos em uma peça que ganhou o prêmio de Melhor da Exposição, e isso significou muito porque foi uma verdadeira parceria criativa.
Além disso, meus projetos mais significativos geralmente são mangas de várias sessões, onde construo uma composição inteira do zero ao longo de vários meses. Esses são os momentos em que mais me sinto um artista.
Você tem vasta experiência participando de convenções de tatuagem. Poderia nos contar sobre seus prêmios mais significativos?
Taras: Na InkCon 2024, na Califórnia, Adrian Delgado e eu ganhamos o prêmio de Melhor da Exposição. No Orlando Tattoo Show 2024, conquistei o primeiro lugar em Melhor Retrato e Melhor Preto & Cinza, além do segundo lugar em Tatuagem de Dois Dias. Na Florida Gulf Coast Tattoo Expo 2024, também recebi classificações nas categorias de Melhor Preto & Cinza.
Também fui convidado para julgar no Orlando Tattoo Arts Festival, Tampa Tattoo Arts Festival by Villain Arts, All Stars Tattoo Convention em Miami e Orlando Tattoo Show 2024. Julgar te dá uma perspectiva diferente. Você começa a avaliar o trabalho não apenas como artista, mas como alguém responsável pelos padrões, e isso aguça seu próprio olhar.
Você também ministra sessões de treinamento e workshops. Poderia nos contar como estrutura seu processo de ensino e no que mais se concentra ao trabalhar com alunos?
Atualmente, trabalho com artistas mais jovens apenas ocasionalmente, principalmente em formato particular e individual. A maior parte do meu tempo é dedicada ao meu próprio trabalho, a convenções e ao desenvolvimento dos meus projetos.
Em um futuro próximo, planejo expandir isso para um formato de pequena escola com sessões em grupo. Tenho interesse em criar um ambiente onde haja competição saudável e motivação para crescer, primeiramente em nível pessoal.
Ao mesmo tempo, estou trabalhando em um curso profissional que planejo lançar em breve.
Qual a importância da mentoria na indústria da tatuagem? Você teve um mentor e como isso influenciou sua jornada?
Taras: Muito importante. Não tive um único mentor. Aprendi trabalhando, observando e passando tempo em ambientes como o Neon Tattoo Germany, onde o nível ao meu redor era muito alto. Essa foi minha educação. E é exatamente por isso que acredito em criar as condições certas para artistas mais jovens. Quando você está cercado por um trabalho forte todos os dias, você cresce mais rápido do que qualquer curso poderia te ensinar.
Onde você está atualmente baseado e trabalhando? Você costuma colaborar com outros artistas ou estúdios?
Taras: Eu trabalho na Green Avenue Tattoo em Miami. Gosto de estar perto de outros artistas porque isso te mantém honesto sobre o seu nível. Miami é uma ótima cidade para tatuar porque muitas culturas se encontram aqui. Muitos clientes viajam de outros estados ou do exterior especificamente para tatuar em Miami, e isso nos impulsiona a continuar elevando nossos padrões.
Você planeja alguma participação como convidado ou viagens em um futuro próximo? Onde e quando?
Taras: Estou sempre aberto a participações como convidado. Por cerca de dois anos, viajei regularmente para o Neon Tattoo Germany, onde alguns dos melhores artistas do mundo estavam trabalhando a qualquer momento. Esse ambiente me deu um grande impulso. Agora me concentro em convenções nos Estados Unidos, mas estou procurando expandir internacionalmente novamente.
Qual é o tempo de espera atual para agendamentos e como novos clientes podem marcar uma sessão com você?
Taras: Minha agenda geralmente está lotada com dois a três meses de antecedência, especialmente em Miami, que é um mercado muito competitivo. A melhor forma de me contatar é via Instagram. Sempre tento arranjar tempo para projetos sérios, principalmente quando alguém tem uma visão clara e está pronto para se comprometer com várias sessões.
Olhando para o futuro, qual direção de crescimento você vê para si mesmo nos próximos anos?
Taras: Quero continuar desenvolvendo estúdios profissionais e mentorando artistas mais jovens. Quero que esta indústria continue avançando, para um lugar onde a tatuagem seja reconhecida puramente como arte. Isso exige educação, altos padrões e o ambiente certo.
No lado criativo, quero continuar impulsionando minha direção neo-japonesa e assumindo projetos que me desafiem. Passo a passo, com disciplina e uma visão clara de onde quero chegar.
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