Enrico Grosso – mais conhecido como Henry Big – trabalha no Greenpoint Tattoo, em Brooklyn, NY. Mestre da tatuagem tradicional, construiu seu nome com peças ousadas, em grande escala, e uma abordagem forte e atemporal no design. Nesta conversa, ele relembra sua jornada de 17 anos desde uma pequena cidade no norte da Itália até Nova York, compartilha como os shows hardcore mudaram sua visão sobre a tatuagem e explica por que a conexão com o cliente sempre vem em primeiro lugar.
Amamos histórias como a dele – quando um artista fala sobre tatuagem com paixão e entusiasmo genuínos. São essas vozes que carregam a indústria com energia e a mantêm em movimento.
Conte-nos um pouco sobre você. De onde você é e há quanto tempo faz tatuagens?
— Sou de uma pequena cidade no norte da Itália, e estou envolvido com a tatuagem de diferentes maneiras há cerca de 17 anos. Diria que tudo começou quando pintei meu primeiro conjunto de flash sem qualquer orientação, apenas olhando para o flash de Stuart Cripwell, e o enviei para o Myspace. Olhando para trás, é interessante como eu entendia pouco sobre o trabalho dele na época, mas fui impressionado por seu poder visual. Isso me mostrou o quão forte pode ser a imagem da tatuagem – como um símbolo ou uma imagem pode carregar tanto significado e emoção apesar de sua simplicidade.
Como você acabou em Brooklyn e no Greenpoint Tattoo?
— Visitei a loja pela primeira vez no início de 2016, conheci todos que trabalhavam lá, fiz uma tatuagem com Jason Ochoa e passei algumas noites loucas com as pessoas da cena. Depois disso, fui para Los Angeles e São Francisco, mas sabia que aqueles dias em Nova York haviam plantado uma semente. Tudo era tão emocionante, não via a hora de voltar.
Meu tempo na Califórnia também foi muito especial – olhando para trás, parecia o auge de um momento na história da tatuagem. Na época, eu morava em Manchester e trabalhava no Rain City com meu melhor amigo Paul. Amava a loja e a cidade, mas não me sentia preso pessoalmente. Então pensei, é agora ou nunca, e me candidatei a um visto de trabalho nos EUA.
Por que você escolheu a tatuagem tradicional? Conte-nos sobre o desenvolvimento do seu estilo.
— Quando me interessei por tatuagens pela primeira vez, o tribal era a escolha certa na Itália – pelo menos na minha região. Eu também era um headbanger, e Max Cavalera do Sepultura tinha aquelas marcas tribais no pescoço que pareciam tão poderosas. Mais tarde, procurei pessoas na cidade que trabalhavam nesse estilo, principalmente designs de Sailor Jerry. Foi por aí que eu queria começar.
Na época, eu não sabia que você podia usar referências para criar designs – achava que o tradicional era uma linguagem visual construída em certos elementos em vez de motivos específicos.
Então inventei minhas próprias coisas "inteligentes", que parecem bem estranhas para mim agora, mas talvez tenha me ajudado a desenvolver minha própria voz mais tarde, quando comecei a usar realmente catálogos antigos como referências. Fui muito inspirado por certos artistas, e minhas tentativas fracassadas de imitá-los sem entender completamente seu trabalho me levaram a um lugar pessoal.
Onde você aprendeu ou como desenvolveu suas habilidades no estilo tradicional de tatuagem?
— Isso foi outro capítulo. É o tipo de coisa que você realmente precisa aprender estando em volta de pessoas e observando. Alguns anos após meus dias de flash no Myspace, meu velho amigo Elia Calabrese do Tattoo Army na Itália me incentivou a aprender corretamente com ele. Eu aprendi muito, mesmo que não tenha sido um aprendizado clássico. Eu não fiquei muito tempo porque já tinha decidido me mudar para o Reino Unido.
"Eu sempre tentei aprender com todos com quem trabalhei."
Depois disso, trabalhei em tempo integral em três lojas, fiz trabalhos convidados em muitas outras e conheci muitos artistas. Mudar-me para Londres por volta de 2012-2013 foi um momento incrível – ainda parecia pequeno o suficiente para ser íntimo, como meus primeiros dias.
Quais temas e imagens aparecem com mais frequência em seu trabalho?
— Eu adoro usar referências tradicionais antigas – as coisas clássicas. Recentemente, venho fazendo muitos dragões. A faixa é bastante limitada se você está procurando a essência da linguagem visual e quer algo que resista ao teste do tempo.
"Após seguir a tatuagem por décadas, você pode ver quais designs vão gritar da década em que foram feitos."
Você não pode evitar isso completamente, mas eu viso algo mais atemporal.
Seu portfólio é principalmente de tatuagens pretas. Em quais casos você faz uma exceção e usa cor?
— Isso é um equívoco porque a maioria das minhas peças grandes são em preto e cinza, e é isso que eu costumo postar online. Na realidade, eu amo cor. Quando comecei a me interessar por tatuagem tradicional, a cor era o padrão – o trad apenas preto ainda não era uma coisa.
"Eu ainda faço muito tradicional colorido, e quando pinto flash, é sempre em cor."
Eu amo um verde brilhante! Peças maiores muitas vezes acabam em preto e cinza porque funciona bem estruturalmente. Talvez parte do meu cérebro criativo apenas incline mais para imagens construídas em sombra e contraste.
Existem obras das quais você está especialmente orgulhoso?
— Orgulho é complicado, mas eu diria que estou orgulhoso da quantidade de trabalho em grande escala que fiz nos últimos dez anos. O orgulho vem de saber que por muito tempo as pessoas confiaram em mim para entregar esse tipo de trabalho, tanto artisticamente quanto pessoalmente. Isso é lisonjeiro, mas também uma responsabilidade que estou feliz em carregar. Também acho que o trabalho parece pessoal e único, o que me orgulha.
Quanto tempo geralmente leva para concluir grandes projetos, como peças nas costas?
— A maioria dos que estão no meu Instagram levou cerca de 6-7 sessões. Se o cliente vem regularmente, podemos terminar uma peça grande em um tempo relativamente curto. Eu costumava querer acelerar todo o trabalho de linha na primeira sessão, mas com o tempo mudei para uma abordagem mais lenta. Uma peça nas costas é uma experiência incrível, mas também extremamente dolorosa, então eu tento não sobrecarregar os clientes. Algo como um dragão com escamas é muito trabalhoso, mas o resultado é impressionante.
Qual é o seu processo usual de criação de um tatuagem — desde a ideia até a obra finalizada?
— Tudo começa com flash e referências antigas, especialmente para costas ou fronts. Para tatuagens de sessão única, eu redesenho algo antigo, tentando torná-lo meu, às vezes misturando ideias. Depois, mostro ao cliente, coloco no corpo, faço o estêncil, desenho os contornos, faço pausas, pulverizo Bactine e finalizo. Espero poder vê-los novamente em alguns meses para mais.
Qual é a sua experiência com convenções e o que o cenário de festivais significa para você?
— Sempre fui seletivo com shows, mas os que fiz foram incríveis — sempre por causa das pessoas com quem estava. Tenho ótimas memórias da convenção de Brighton e da festa maluca depois — parece um momento congelado no tempo. Também fiz Leeds, Bruxelas, Turim e dois anos em Catania, que é um show incrível. A Sicília é como nenhum outro lugar, e Andrea Furci é um organizador fantástico.
Nos EUA, só fiz o Oktoberfest da Old Soul perto de Pittsburgh, que era como uma mini convenção com verdadeiros entusiastas. No primeiro ano, Leo Zulueta estava lá com Scott Sterling e Nick Bubash (RIP), apenas passando o tempo e ainda tão apaixonados por tatuagem. Havia duas costas de Ed Hardy na sala.
"Eu me senti como um bebê nu — verdadeiramente épico."
O que é mais importante para você na tatuagem — técnica, estilo ou a conexão com o cliente?
— A conexão com o cliente, com certeza. Eles são o que faz de você um tatuador. Para parafrasear Bob Roberts: sem um cliente, sou apenas um cara sentado em uma sala.
Quais são seus planos e metas para os próximos anos?
— Ficar em Nova York — amo o Greenpoint Tattoo e a equipe. Manter o que tenho e, de vez em quando, encontrar algo novo na minha linguagem visual que me excite. Continuar tentando coisas novas e pequenas e me inspirar nas pessoas incríveis ao meu redor. E visitar alguns lugares novamente para participações como convidado, como Austin, Texas, ou Londres.
Como você vê o futuro da tatuagem tradicional nos EUA e no mundo?
— Nunca vai morrer. Pode mudar, mas nunca vai morrer. Só espero que as pessoas sempre respeitem e valorizem a história que veio antes delas.
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