Luna Moth é uma tatuadora da Ucrânia, agora baseada em Los Angeles, trabalhando em uma das direções mais não convencionais da tatuagem contemporânea. Embora o neogótico abstrato possa parecer um estilo relativamente novo em comparação com estéticas de tatuagem mais tradicionais, suas raízes podem, de fato, ser rastreadas até a arte gótica medieval. Luna move-se livremente através de formas e linhas, usando a tatuagem como uma forma de expressar seu próprio senso de beleza.
Nesta entrevista, conversamos com Luna sobre as origens do neogótico, seu processo criativo e sua perspectiva interna sobre este estilo único.
Como começou sua jornada na tatuagem e o que a atraiu inicialmente a essa forma de arte?
— A primeira vez que fiz uma tatuagem foi na Ucrânia. Fiz um pequeno esboço para uma amiga que queria algo simples em traço fino. Para uma primeira tentativa, ficou perfeito — melhor do que eu esperava. Levei muito tempo, no entanto. Tentei colocar toda a minha energia artística nisso, junto com tudo o que havia aprendido na universidade. Naquela época, eu estava estudando arte.
Seu estilo é muito único e abstrato. Como você descreveria seu estilo de tatuagem em suas próprias palavras e como o chama?
— Neogótico é um bom nome para ele. Mantenho elementos góticos clássicos e adiciono diferentes formas por cima, criando camadas. É algo experimental com elementos góticos. Uma composição visual controversa permite ao espectador experimentar uma busca por forma através de sua própria percepção, para que todos possam encontrar algo dentro da abstração que ressoe pessoalmente com eles.
Que influências ou artistas, relacionados à tatuagem ou não, moldaram sua abordagem ao design de tatuagem?
— Há muitos artistas e práticas sobre os quais eu poderia falar, mas definitivamente a maior influência, que conheço desde os 15 anos, é Goya. Eu também mencionaria Dürer como um grande gravador e pintor. Goya me surpreende pelo tema de suas pinturas. Mais tarde, explorei mais a arte contemporânea, como Basquiat, cujo trabalho despertou em mim o desejo de examinar a natureza contraditória dos objetos e novas formas de visualização. Fiquei também profundamente impressionada com Vrubel e a escuridão em suas pinturas.
Entre os tatuadores, fui muito inspirada por Ivan Curbe Lopez (@ivrsk) e Oscar Akermo (@oscarakermo). Mais tarde, em 2022, trabalhei na Crooked com Ivan Lopez, e foi uma experiência incrível compartilhar conhecimento e experiência profissional.
Você frequentemente trabalha à mão livre sem estêncil. Pode explicar como esse processo funciona para você e o que a entusiasma nele?
— Ainda uso todas as técnicas que me ajudam a alcançar a precisão das formas góticas que seguem o corpo. O trabalho à mão livre também permite adicionar elementos adicionais diretamente da sua mente. Permite expressar seus sentimentos no calor do momento.
A tatuagem exige tanto habilidade técnica quanto criatividade. Como você mantém um equilíbrio entre precisão e expressão artística?
— Exige uma enorme quantidade de trabalho. Você nunca para de estudar e explorar mais. A autoeducação é uma grande parte de qualquer arte. Disciplina interna, manter um estilo de vida saudável e equilibrar estados externos e internos ajudam muito, especialmente quando você precisa se manter estável mesmo após sessões de dez horas.
Tatuagens abstratas são frequentemente profundamente pessoais. Como você colabora com os clientes para criar uma peça significativa para eles?
— Geralmente, meus clientes me dão muita liberdade criativa, e eu aprecio isso. Eles me mostram trabalhos da minha página e me pedem para brincar com aquela forma. Às vezes, recebo pedidos específicos com certos elementos que eles querem incorporar, e eu faço isso da melhor maneira que vejo possível. Também é importante para mim garantir que eles realmente amem a peça, então é sempre um trabalho em equipe.
Como você mantém seus designs frescos e evita cair em padrões repetitivos?
— Como eu disse antes, nunca paramos de aprender. Estou constantemente procurando algo novo, aprimorando minhas habilidades a cada tatuagem, trazendo novas formas e detalhes, e brincando com o contraste.
A colocação da tatuagem desempenha um grande papel em seus designs. Como você aborda a escolha do local certo para uma tatuagem?
— É fácil no sentido de que qualquer posicionamento pode funcionar. Existem algumas áreas difíceis no corpo que exigem mais tempo e atenção, e também há muitos pontos dolorosos, que podem ser ainda mais difíceis para os clientes do que para mim. Geralmente as pessoas já têm espaços abertos que querem preencher, mas se o esboço não se encaixa ali, eu o remodelo ou o mudo completamente. É assim que o processo funciona.
Quais desafios você enfrenta ao traduzir ideias abstratas em arte corporal permanente?
— Provavelmente é mais sobre o meu próprio sentimento pela forma. Se não estiver perfeito, continuo trabalhando com as formas para melhorar a composição geral.
Qual você acha que é o aspecto mais incompreendido da tatuagem abstrata?
— Os elementos que você coloca em uma peça podem ter diferentes significados para cada um. Como sempre digo, cada um vê uma forma através de sua própria percepção. É isso que a torna ótima, mas também pode ser confuso para pessoas que preferem a arte clássica. Ainda assim, eu realmente amo como pessoas de diferentes idades aceitam algo novo e moderno. Elas apreciam a chance de descobrir algo desconhecido, e imediatamente se tornam parte da expressão. É maravilhoso ver a curiosidade delas.
Você tem uma tatuagem favorita que criou, e se sim, o que a tornou especial?
— Não há exceções. Eu amo cada peça. Eu me dedico a cada tatuagem para torná-la perfeita — caso contrário, não é arte.
Qual foi o seu projeto mais desafiador até hoje e como você o abordou?
— Qualquer projeto de grande escala é um desafio. A complexidade do volume e o número total de detalhes o tornam um processo desafiador. Além dos detalhes dentro da peça, é necessário manter a harmonia na forma geral. Eu encaro cada tatuagem como um desafio porque cada uma é única e nunca se repete. Você não conseguirá encontrar duas peças idênticas feitas por mim.
Você se inspira no seu entorno em Los Angeles? Como o seu ambiente influencia o seu trabalho?
— Claro. Há uma cena enorme aqui. Los Angeles transborda arte gótica, de artistas a designers. Eu amo como diferentes estilos inspiram e se complementam, e como artistas de campos completamente diferentes compartilham suas experiências e reconhecem sua conexão por meio da arte. Todos eles experimentam, e essa energia é muito inspiradora.
Como você vê a indústria da tatuagem evoluindo em termos de estilos abstratos e experimentais como o seu?
— Vejo o desenvolvimento como uma melhoria contínua da forma através da expressão de objetos em novas texturas, linhas quebradas, contrastes e combinações incomuns de formas completamente incompatíveis que, em última análise, criam uma imagem unificada e novos estilos. É difícil imaginar algo verdadeiramente novo, mas assim que você começa a estudar mais, isso surge naturalmente. Absolutamente tudo o que você vê ao seu redor pode ser traduzido em uma imagem e transformado em uma tatuagem digna.
Que conselho você daria a aspirantes a tatuadores que desejam desenvolver seu próprio estilo único?
— Nunca pare de explorar. O mundo está cheio de arte. Se você estudar história da arte, poderá ver como ela cresce e se entrelaça ao longo do tempo. Cada século tem sua própria maneira de visualizar objetos. Muito pode ser tirado da iconografia religiosa dos séculos XV e XVI e do desenvolvimento de outros estilos que mais tarde se tornaram referências para as gerações futuras. A arte nunca parou de evoluir. Então, procure em livros, faça sua pesquisa e aprenda sobre diferentes culturas.
Por fim, quais são seus planos futuros? Algum novo projeto, colaboração ou ideia que você esteja animada para explorar nos próximos anos?
— Claro. Quero dar vida a alguns projetos que darão a outros artistas e amantes da arte a oportunidade de descobrir novas artes. Atualmente, estou trabalhando em uma plataforma que servirá como uma revista online para novos estilos. Também gostaria de colaborar com galerias jovens que exibem artistas contemporâneos, como @ch.u.rch. Adoraria também trabalhar com videomakers para criar filmes sobre arte contemporânea.
Comments (0)